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22 de janeiro de 2019.

  • a semana já começou bem difícil.
  • não é novidade que não me sinto bem desde o ano passado, e meu transtorno de ansiedade só vem piorando desde então.
  • achei que entrar de férias me faria bem, que depois de um tempinho pra mim as voltas às aulas seriam mais fáceis. me enganei.
  • domingo (20) foi meu último dia de recesso. fiquei até 4 da manhã fazendo meu primeiro trabalho da faculdade e não me senti nem um pouco realizada com o mesmo.
  • consegui acordar cedo ontem (21), tomei meu café e já senti a ansiedade pelo meu corpo. a comida não desceu bem, me bateu a falta de ar e minha pressão foi baixando.
  • tentei ignorar tudo isso pois sabia que não podia perder o primeiro dia de aula após as férias, mas a única coisa que eu fiz foi me jogar na cama novamente e ficar por lá.
  • minha mãe então veio até o quarto, me avisou que já estava na hora de ir e eu não consegui responder. continuei deitada e com o rosto virado para a parede, mas ela já sabia o que estava acontecendo.
  • e assim perdi a aula. passei o dia todo deitada, só levantei pra tomar um banho e voltei pra cama. me senti inútil, incapaz de sair do meu quarto que é o meu cantinho seguro, minha zona de conforto, meu ninho, o único lugar o qual eu sei que o ataque de pânico não consegue me atingir.
  • hoje (22), decidi que faria diferente. tomei um calmante antes e depois do café da manhã, senti que a falta de ar que me acompanhava desde que levantei da cama havia ido embora. me senti confiante, tomei um banho e troquei de roupa enquanto ouvia minha mãe dizendo que queria ir comigo até a faculdade.
  • era uma boa ideia, assim eu não me sentiria sozinha e ficaria mais segura. porém, decidi que precisava fazer isso por mim mesma e que iria sozinha.
  • estava chovendo, fui até a farmácia aqui na esquina pra colocar crédito no celular e já fiquei nervosa desde então. eu sei que parece besteira para alguns, mas a mínima ação que eu faça fora da minha casa, se torna algo extremamente enorme e amedrontante pra mim.
  • me dirigi até o ponto de ônibus e levei um baita "banho" do carro que passou perto de mim. se já acho que as pessoas ao meu redor estão prestando atenção em mim e me julgando, a mancha enorme na minha calça com certeza não ajudou muito. olhei pra frente e vi minha mãe dobrando a esquina com o sorriso mais lindo e gracioso do mundo.
  • de longe ela falou "vim pra levar minha filha até o ponto de ônibus". nessa hora eu simplesmente esqueci que estava com metade da calça completamente molhada. atravessamos a rua e meu guarda-chuva entortou todo com o vento. xinguei e ressaltei que não deveria nem ter saído de casa.
  • meu ônibus chegou e me despedi do meu anjinho. quase que entro dentro do ônibus com o guarda-chuva aberto e tudo, o que me fez sentir uma estúpida e que mais uma vez todos deveriam estar me julgando.
  • sentei e já fui tirando meu celular e fones da mochila, entrei na netflix e fui ver o primeiro episódio de titãs que havia baixado antes de sair de casa. o caminho até a faculdade dura em cerca de 40 minutos (um sofrimento dobrado pra quem tem transtorno de ansiedade).
  • como chovia e ventava bastante as janelas estavam todas fechadas. tentei não focar naquilo e assistir ao episódio, mas não consegui. senti a falta de ar e o medo tomando conta de mim. decidi abrir o whatsapp e chamar minha mãe pra conversar, talvez isso ajudasse um pouco a dispersar meus pensamentos. o incrível disso tudo é que não havia se passado nem 10 minutos dentro do ônibus.
  • falei que não estava me sentindo bem e que precisava entreter minha mente. ela então me mandou um áudio do meu avô dizendo que queria que eu voltasse logo pra casa. conversei um pouco por áudio com os dois e senti que a falta de ar já estava aumentando, uma forte dor apertou meu estômago e uma vontade inesperada de fazer xixi. tudo isso eram sinais de um ataque de pânico.
  • peguei o biscoito que tinha dentro da mochila, coloquei na boca e logo em seguida joguei pela janela do ônibus. eu sempre guardo qualquer lixinho comigo e jogo fora na lixeira mais próxima, mas acabei me esquecendo disso.
  • tudo começou a piorar. a falta de ar, a dor no estômago e a incapacidade de mastigar alguma coisa. então decidi que não esperaria minha crise de ansiedade se tornar em um ataque de pânico com tremores, suor, pressão baixa, dormência na boca e nos dedos, dores por todo corpo e incapacidade de me mover.
  • desci próximo ao hospital onde meu avô havia sido internado ano passado, aquele era o único lugar o qual eu sabia que não conseguiria me perder. minhas pernas estavam bambas e senti minha pressão baixando, mas falei pra mim mesma que logo logo estaria em casa, no meu quarto e segura.
  • estava chovendo bastante e eu não tinha a minima condição de andar com um guarda-chuva por aí, então só fiz levantar o capuz do meu casaco. a parte cômica porém trágica, é que aquele momento parecia cena de um filme: a garota cheia de problemas com a roupa e cabelo encharcados de chuva, um óculos totalmente embaçado e uma enorme vontade de chorar. peguei o ônibus de volta e avisei pra minha mãe que não consegui, que estava voltando pra casa.
  • finalmente cheguei em casa minha e mãe já me conhecendo não me fez nenhuma pergunta. fui tomar um banho onde desmoronei ali mesmo. chorei feito criança, soluçava bastante mas não me deixei ser escutada.
  • fui para o quarto da minha mãe, troquei de roupa, coloquei meu pijama e me deitei na cama com as mãos sobre o meu estomâgo que ainda doía bastante por causa da ansiedade e muito provavelmente de fome, mas não me importei em comer já que comida nenhuma iria descer. coloquei um pano nos olhos pra que ninguém me visse chorar.
  • minha mãe veio e se deitou ao meu lado, pedindo pra que eu me abrisse com ela. entre um soluço e outro, uma lágrima e outra, eu desabafei sobre tudo que me vem acontecendo desde o ano passado e piorado desde novembro. nós conversamos bastante e decidimos que, durante essas férias dela, eu vou deixar que ela me acompanhe até a faculdade e então eu volto sozinha, no dia em que eu me sentir segura, eu poderei ir só.
  • hoje foi um dos piores e mais cansativos dias, mas acho que terminou bem.
jan 22 2019 ∞
feb 12 2019 +