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interviews

  • não há consolo para a morte de um filho: entrevista especial com luiz marques
    • a idéia compensatória de que é possível prosseguir a caminhada, embora a precipitação no abismo, é o sintoma de uma sociedade delirante que busca universalizar a auréola de “heroísmo” e “superação” entre os indivíduos por não tolerar mudanças no script da felicidade que promete aos cidadãos de bem (e de bens). como se a dor fosse um opróbrio. o senso comum trata os tombos do destino como acidentes de percurso que, com algumas doses de auto-ajuda, podem ser superados pelos indivíduos. eu, que a cada dia sinto mais a falta de meu filho, prefiro o bom senso dos místicos que vêem na perda do ente amado um reencontro com o martírio do filho de deus.
    • [...] yoñlu enriqueceu o patrimônio estético-musical da humanidade e reforçou a resistência à pasteurização e à mediocrização da sensibilidade imposta pela lógica comercial [...] temos aí elementos suficientes para um debate, por exemplo, sobre o embrutecimento do ser humano e o papel da arte na luta pelo desbloqueamento de nossa percepção estético-crítica no capitalismo tardio.
    • [⚠️] imaginar, para fazer uma analogia, que uma tela de vincent van gogh ou um romance de virginia wolff possam ajudar no entendimento sobre os tormentos que afligiam a subjetividade de seus autores, de modo a evitar que se disseminem pelo corpo social seria deslocar para o campo da arte o que é uma questão de saúde pública. pelo mesmo raciocínio, abordar a trajetória terrena de vinícius gageiro marques a partir de uma ótica profilática, abstraindo a arte que produziu com maestria, seria um insulto ao artista que soube sintetizar, musicalmente, com criatividade e radicalidade, as tendências inconscientes do alvorecer do século XXI.

articles

  • a loucura na sociedade de classes
    • parafraseando marx, “a loucura é a loucura. só em determinadas condições é que ela se torna um problema social” e, em última análise, somente em determinadas condições ela se torna também uma doença.
    • não existe capitalismo sem manicômio, assim como não existe manicômio sem capitalismo.
    • “...para um mesmo tipo de sintomas, para um mesmo grau de perturbação mental, nas classes altas tem-se um tratamento curto com reintegração social, enquanto que na classe operária o mesmo caso de delírio leva a um destino de aniquilamento.” (moffatt, 1981)
  • joy: the thing no one ever tells you about joy is that it has very little real pleasure in it.
    • what looked like love had just been teen spirit. but what a wonderful thing, to sit on a high wall, dizzy with joy, and think nothing of breaking your ankles. it hurts just as much as it is worth. what an arrangement. why would anyone accept such a crazy deal?
  • fail better
    • in what form, asks the writer, can i most truthfully describe the world as it is experienced by this particular self? and it is from that starting point that each writer goes on to make their individual compromise with the self, which is always a compromise with truth as far as the self can know it.
  • is therapy-speak making us selfish?
  • communion: on physical presence & real understanding
    • it's worth it, though. communion doesn’t have to be easy to be good. blood-warmingly, stomach-achingly good. i imagine those moments of discomfort met and salved over with a spirit of grace and forgiveness. the moments of fear and danger countered with intentional, hard-earned peace. i want to believe that.
    • communion: love, acceptance, grace, understanding (real understanding!). god manifesting between people. not a distant, external concept. an immediate, lived reality.
  • the lore of big thief
    • "i guess what struck me as a songwriter then was that her songs all seemed to be really human, and really emotional, and really honest — vulnerable — but at the same time they all somehow had this ineffable quality," meek says. "like, all of that human content was serving as a medium for something beyond."
    • she and her band mates have a sense of her songwriting and music as a living thing — as something that 'happens' more than it is crafted.
    • lenker says a mantra to herself each night such that she delivers an honest performance. "i'm... setting an intention of, help me to step aside from this and allow what's there to be, and not try to force it to be anything."
    • betrayed by the angel: what happens when violence knocks and politeness answers? (tw: sexual assault)

misc

  • 13 october (1819): john keats to fanny brawne
    • i have been astonished that men could die martyrs for religion— i have shuddered at it. i shudder no more — i could be martyr’d for my religion — love is my religion — i could die for that. i could die for you.
may 24 2023 ∞
feb 9 2024 +