i.

lèvres roses, larmes de rosée

“dolly, op. 56: i. berceuse”

... delineada pela alífera libra...

... enluarada pelas águas netuninas...

౨ৎ

“... era amorosa, cultivava um vaso de flores, tocava flauta, fazia versos, amava o povo, compadecia-se das mulheres, chorava pelas crianças, confundia na mesma confiança o futuro e deus, e censurava a revolução por ter feito cair uma cabeça régia. habitualmente tinha a voz delicada, mas, de repente, viril. era letrada até a erudição, e quase orientalista. era boa, acima de tudo; e, coisa muito simples para quem sabe o quanto a bondade é próxima à grandeza, em matéria de poesia, preferia o imenso. gostava de passear pelos campos de aveia e de flores, e ocupava-se das nuvens quase tanto quanto dos acontecimentos. seu espírito tinha duas atitudes, uma pelo lado do homem, outra pelo lado de deus: ou estudava, ou contemplava.”

౨ৎ

“ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.

e ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria.

e ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria.

o amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece.

não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal;

não folga com a injustiça, mas folga com a verdade;

tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

o amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá;

porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos;

mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.”

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౨ৎ

“arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva,

arrebataste-me o coração com um só de teus olhares,

com uma só jóia de teu colar.

como são ternos teus carinhos,

minha irmã e minha noiva!

tuas carícias são mais deliciosas que o vinho;

teus perfumes, mais aromáticos

que todos os bálsamos.

teus lábios, minha noiva, destilam néctar;

em tua língua há mel e leite.”

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seja bem-vindo a este pequenino capítulo de minha vida, em que reuno as coisas que mais amo em belas listinhas; encare-as como românticas e antigas missivas! saibas que batizaram-me de “ana clara lira”, nome que, na língua leve dos símbolos, fala da graciosidade, do lume e das linhas d’uma lira. sinta-se livre para chamar-me de “nana” ou “naninha”, apelidos que amo por remeterem ao ato de nanar... sou uma pseudo-escritora e pseudo-poetisa, com muitas ideias presas à gaiola da cabeça voando e estilando em palavras; elas germinam de mim tal as camélias da primavera. fascino-me pelo humano e pela vida, por descobrir as verdades escondidas sob as camadas de meu cerne... então, dedico-me ao estudo da mente d’outrem e de mim mesma – uma pomba-peregrina, meio-menina e meio-císnea, esmerilando, incessante, por meu venusto casulo n’este mundo...

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... vislumbrando a humanidade enquanto feeria...

... nas fábulas sobre deus e sobre o sonho, sou afrodísia...

florilégios d’uma lírica fada do lácio

“fantaisie pour violin, flute & harp en a major, op. 124”

oct 12 2021 ∞
apr 14 2022 +