- Chegou ao Reino Unido aos vinte e dois anos depois de conquistar uma bolsa parcial para cursar Fashion Business. Brixton acabou se tornando casa, mas ainda existe uma parte sua que compara inconscientemente qualquer mercado de rua aos de Guangzhou.
- Fala cantonês, mandarim e inglês fluentemente. Aprendeu francês por curiosidade durante a faculdade e hoje consegue se virar em conversas simples, embora raramente admita que sabe mais do que deixa transparecer.
- Juxian ficou na China. Em Londres, quase ninguém conhece esse nome, e Jules nunca faz questão de apresentá-lo. Às vezes esquece que ele ainda lhe pertence, até escutá-lo na voz da tia durante uma ligação.
- Fuma desde os dezessete anos.
- Possui algumas tatuagens discretas. A maior percorre parte do braço esquerdo com a frase let me be your midnight sun. Nunca existiu um grande significado por trás dela. Algumas coisas simplesmente são bonitas o bastante para permanecer.
- Tem alguns piercings espalhados pelas orelhas e costuma trocar as joias quase como quem escolhe um par de brincos qualquer antes de sair. Nunca usa exatamente a mesma combinação por muito tempo.
- Divide o apartamento com um gato chamado Hundun. Encontrou-o durante uma noite chuvosa em Brixton e decidiu levá-lo para casa “só até encontrar um dono”. Nunca procurou. Hundun desenvolveu o hábito de dormir exatamente sobre as roupas recém-restauradas, como se quisesse dar a palavra final sobre cada costura.
- Sempre existe um pequeno kit de costura perdido dentro da bolsa. Linhas, agulhas, fita métrica, alfinetes, um descosturador e uma tesoura dobrável. Costuma dizer que é só mania. Quem a conhece sabe que ela realmente usa tudo aquilo.
- Dificilmente sai de casa sem uma câmera digital compacta. Fotografa vitrines, fachadas antigas, placas enferrujadas, reflexos em poças d’água e pessoas que provavelmente nunca voltarão a encontrar.
- É raro vê-la usando uma roupa exatamente da mesma maneira duas vezes. Às vezes muda apenas um botão. Em outras, desmonta metade da peça antes de decidir que agora sim faz sentido. Para Jules, roupa nunca termina quando sai da arara.
- Tem facilidade absurda para lembrar coleções antigas, diretores criativos e referências visuais, como quem arquiva tudo em algum lugar da memória sem esforço.
- Coleciona CDs, vinis, fitas cassete e DVDs.
- Costuma passar tempo demais em brechós, sebos, galerias pequenas, livrarias independentes e papelarias. Nunca entra com pressa. Nunca sai de mãos vazias.
- Continua enviando dinheiro para a tia na China sempre que pode. As duas conversam com frequência, mas Jules aprendeu a editar muito bem a própria rotina. Existem partes da sua vida que simplesmente nunca atravessam a tela do celular.
- Quase nunca fala sobre o passado espontaneamente. Quando alguém pergunta onde aprendeu a costurar, costuma responder apenas: “necessidade.” Como se aquela única palavra fosse suficiente para explicar anos inteiros.
aug 5 2026 ∞
aug 5 2026 +