i.

lèvres roses, larmes de rosée

“dolly, op. 56: i. berceuse”

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... delineada pela alífera libra...

... enluarada pelas águas netuninas...

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“... era amorosa, cultivava um vaso de flores, tocava flauta, fazia versos, amava o povo, compadecia-se das mulheres, chorava pelas crianças, confundia na mesma confiança o futuro e deus, e censurava a revolução por ter feito cair uma cabeça régia. habitualmente tinha a voz delicada, mas, de repente, viril. era letrada até a erudição, e quase orientalista. era boa, acima de tudo; e, coisa muito simples para quem sabe o quanto a bondade é próxima à grandeza, em matéria de poesia, preferia o imenso. gostava de passear pelos campos de aveia e de flores, e ocupava-se das nuvens quase tanto quanto dos acontecimentos. seu espírito tinha duas atitudes, uma pelo lado do homem, outra pelo lado de deus: ou estudava, ou contemplava.”

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“levanta-te, minha amiga,

minha formosa, e vem!

eis que o inverno já passou,

cessaram as chuvas e se foram.

no campo aparecem as flores,

chegou o tempo da poda,

a rolinha já faz ouvir

seu arrulho em nossa região.

da figueira brotam os primeiros figos,

exalam perfume as videiras em flor.

levanta-te, minha amiga,

minha formosa, e vem!

pomba minha, nas fendas da rocha,

no esconderijo escarpado,

mostra-me teu semblante, deixa-me ouvir tua voz!

porque tua voz é doce, gracioso o teu semblante.”

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“arrebataste-me o coração, minha irmã e minha noiva,

arrebataste-me o coração com um só de teus olhares,

com uma só jóia de teu colar.

como são ternos teus carinhos,

minha irmã e minha noiva!

tuas carícias são mais deliciosas que o vinho;

teus perfumes, mais aromáticos

que todos os bálsamos.

teus lábios, minha noiva, destilam néctar; em tua língua há mel e leite.”

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seja bem-vindo a este pequenino capítulo de minha vida, em que reuno as coisas que mais amo em belas listinhas; encare-as como românticas e antigas missivas! saibas que batizaram-me de “ana clara lira”, nome que, na língua leve dos símbolos, fala da graciosidade, do lume e das linhas d’uma lira. sinta-se livre para chamar-me de “nana” ou “naninha”, apelidos que amo por remeterem ao ato de nanar... sou uma pseudo-escritora e pseudo-poetisa, com muitas ideias presas à gaiola da cabeça voando e estilando em palavras; elas germinam de mim tal as camélias da primavera. fascino-me pelo humano e pela vida, por descobrir as verdades escondidas sob as camadas de meu cerne... então, dedico-me ao estudo da mente d’outrem e de mim mesma – uma pomba-peregrina, meio-menina e meio-císnea, esmerilando, incessante, por meu venusto casulo n’este mundo.

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... vislumbrando a humanidade enquanto feeria...

... nas fábulas sobre deus e sobre o sonho, sou afrodísia...

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florilégios d’uma lírica fada do lácio

“fantaisie pour violin, flute & harp en a major, op. 124”

oct 12 2021 ∞
nov 2 2021 +