procure estar em si mesmo. investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever?

procure soerguer as sensações submersas desse longínquo passado: (...) sua solidão há de alargar-se e transformar-se numa habitação entre lusco e fusco diante da qual o ruído dos outros passa longe, sem nela penetrar. (...) entrar em si e examinar as profundidades de onde jorra sua vida.

ainda há as noites e os ventos que passam pelas árvores e percorrem muitos países. no mundo das coisas e dos bichos tudo está ainda cheio de acontecimentos de que o senhor pode participar. as crianças são ainda como o senhor era quando criança, tão tristes e tão felizes - e, quando pensar na sua infância, torne a viver entre elas, as crianças solitárias: os adultos voltarão a não ser nada, e suas dignidades não terão nenhum valor.

há de se reconhecer, aos poucos, que aquilo a que chamamos destino sai de dentro dos homens em vez de entrar neles. (...) como os homens durante muito tempo se iludiram acerca do movimento do sol, assim se enganam ainda em relação ao movimento do que está para vir. o futuro está firme, caro sr. kappus, nós é que nos movimentamos no espaço infinito.

feb 28 2025 ∞
mar 1 2025 +