Pra começar, é um livro bem longo, pouco mais de 600 páginas. Fui lendo em doses homeopaticas até engatar de verdade, la pela metade. A autora é Anne Bronte

Coisas que me saltam os olhos na protagonista. Primeiro, que ela é realmente a protagonista, no sentido de que a gente não consegue lmebrar de mais ninguém a não ser da história dela, apesar dos muitos personagens.

Ela é extramente crente e religiosa, sendo as vezes um tanto quanto irritante. A personagem é perfeita moralmente, o seu íntimo é exposto no seu diário e mesmo assim ela mantem a modestia e o cultivo da fé. Essa questão da religião é algo que transpassa o livro das irmãs, muito pelo contexto e da epoca, acredito. Mas via de regra as personagens são extramente devotas e principalmente abnegadas, se privando e limitando muitas de suas experiencias em prol de uma vaga no céu. Isso é memorável em todas as personagens das brontes.

Ler esse livro é também dar um respiro sobre as construções das relações. Para além do moralismo cristão e das proibições aplicadas as mulheres, a narrativa te obriga a respirar e ter paciencia com a construção da relação entre Gilbert e Helen. Onde Gilbert espera, pacientemente, uma chance de finalmente tomar Helen como esposa, enquanto que Helen, com ainda mais sofrimento, busca cumprir aquilo que lhe é posto enquanto mulher, mãe e esposa de um casamento infeliz. Foram muitos meses de uma paixao guardada, que por vezes só transparecia na inquietude de Gilbert.

Mas que tem um final feliz.

É um anacronismo sem sentido falar que o livro tem algo de "feminista", não tem. Não tem luta emancipatória, nada disso. Exceto por algumas passagens onde Helen demostra que tem consciencia de que algumas situações seriam um pouco diferentes caso ela não fosse uma mulher, e fala da liberdade de ser homem.

apr 30 2026 ∞
apr 30 2026 +