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♡ ninas, ninféia minha…
em teu nanar, miro o nuel nácar em tuas amuras,
em meu acordar, mira-me teu róseo rosto de menina…
os teus cílios lambeiam-te a lânguida face, os lânguidos sonhos
estilam-te à língua… mas tu que me acalentas,
bailando inerte, bailando císnea,
nos bailes-de-ninar em teu eterno, terno dormir…
tuas nuvens de primavera, as penas em teu ninho, tuas danças de jasmim
são sonhos que acolhem-me, sem fim, em néctares de sussurros, –
com tua neblina de nenúfar, embalas o mundo –
infinita, nevas devaneios em meu jardim…
♡
e que lenta, tua verna neve, que lentos, teus vernos laivos
varrendo-me o inverno da pele!
lateja a lentura de teus lábios trêmulos,
e o beijo neles acanhado cicia árias de ternura…
teus sonâmbulos olhos abrem, castanhas amoras cruas,
a melancolia que enfeita-te se enrubesce, fina aurora,
das rosadas lágrimas vivendo em tua risada…
pois tua canção sopraniça vive, sempre-viva, mesmo quando
os laços dos braços de morfeu enlaçam-te em adormecida…
e ainda nevas, ainda diluvias, com tuas pérolas de primavera
abençoando em sono, ninféia, até as daninhas-ervas…
♡
e que doce chorinho, vindo do céu escondido em tuas pálpebras…!
em que doce lago nadas, ninféia de alvura,
alada cisne anuindo pelas asas d’água…
remas para achar pelo amor em teu buliçoso sono, em teus buliços de lentura
– mal sabes, ave de candura, que residem em teus próprios beiços
o lilás de teu elo verdadeiro… mal sabes que é teu espelho,
o espectro de teu reflexo sobre os rios, que,
em dengoso enlace, … n’um encostar de risos…, pode reviver-te
sempre-adormecida, sim!, mas melada pela coragem… ninféia, ninféia, mal sabes!
vi, em meu vislumbre acordado, – é por teu lacrimar que és libélula, floreio aquático…
é por ti, por ti, que nascem os nós em meu onírico lago…
♡