"era tudo o que restava a Claude de sua família. ele pegou a criança nos braços e saiu pensativo. até então, ele havia vivido apenas para a ciência, mas começava ali a viver para a vida."

"Claude percebeu haver no mundo outra coisa além das especulações da Sorbonne e dos versos de Homero. percebeu que o homem precisa de afeto, que a vida sem ternura e sem amor não passa de árida, rangente e dilacerante engrenagem."

"por tudo isso, contrito e desanimado com as inclinações humanas, Claude se lançou com ainda maior ímpeto nos braços da ciência, essa irmã que, pelo menos, não nos ri na cara e sempre retribui, mesmo que em moeda às vezes um tanto insípida, os cuidados com que a tratamos."

"quando a memória das primeiras raças revelou-se sobrecarregada, quando a bagagem das lembranças do gênero humano ficou pesada e confusa a ponto de a palavra, nua e flutuante, correr o risco de se perder, essa palavra passou a transcrever no chão da maneira mais visível, mais durável e também mais natural. a partir desse momento, cada tradição foi caracterizada por um monumento."

"como parece oca a ciência quando nela se choca com desespero uma cabeça prenhe de paixão!"

"a infeliz se lançou sobre o objeto que era o seu consolo e desespero há tantos anos, e suas entranhas se dilaceraram em pranto, como no primeiro dia. pois eterniza-se o primeiro dia, para a mãe que perde o seu filho. é uma dor que não envelhece. por mais que as roupas do luto se gastem e percam a cor, o coração permanece em negro."

"além disso, era comovente aquela proteção, vinda de um ser tão disforme, aplicada a um ser tão infeliz, uma condenada à morte salva por Quasímodo. duas misérias extremas da natureza e da sociedade que se descobriam e se entreajudavam."

"a calma pouco a pouco voltou à alma de Esmeralda. a dor excessiva, como a alegria excessiva, é algo violento, que dura pouco. o coração humano não permanece por muito tempo nos extremos. a boêmia tanto havia sofrido que só lhe restava o assombro."

"isso porque o amor é como uma árvore, cresce por si só, lança profundas raízes por todo o nosso ser e muitas vezes continua a verdejar, mesmo num coração em ruínas."

"ele se foi. havia decepcionado-a. mas era melhor ser maltratado do que ter causado aquela aflição. a dor seria sua, somente."

"certa manhã, ao acordar, havia na janela dois vasos com flores. um era de cristal, muito bonito e brilhante, mas com uma rachadura. deixara escapar água com que tinha sido enchido, e suas flores murcharam. o outro era um vaso grosseiro e comum de arenito, mas que conservara a água, tendo suas flores continuado viçosas e coloridas."

may 24 2021 ∞
mar 31 2025 +