"E as tias devem ter se dado por satis-feitas, porque entregaram a ela o coração de um pombo, sobre um dos seus pires mais bonitos, do tipo decorado com salgueiros azuis e o rio de lágrimas. Sally e Gillian tinham se sentado na escada dos fundos em meio à escuridão, os joelhos se tocando, os pés des-calços pretos de sujeira. Estavam tremendo, mas ainda assim sorriram uma para a outra e repetiram junto com as tias, num sunsurro, um encantamento que conhe-ciam tão bem que podiam recitar até dormindo: "Este alfinete o coração do meu amante vai sentir, e sua devo-ção eu vou conseguir. Não haverá meio de ele dormir ou descansar, até que venha comigo falar. Só quando acima de tudo me amar, encontrará paz e, na paz, serenar". Gillian fazia pequenos movimentos de punhalada, que era o que a moça deveria fazer com o coração do pombo, enquanto repetisse essas palavras por sete noites segui-das, antes de ir para a cama."