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INTP-T | ᴍᴇᴜ ᴇᴜ ʟɪ́ʀɪᴄᴏ
[ threatening country music ]
desobedeci e continuo desobedecendo
desligue a luz e feche a porta antes de sair
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  • 2026
    • 18/04

"O sonho é concebido como acon-tecimento: não se trata de simbolismo ou representa-ção, as coisas realmente acontecem, a imagem vital (utupė) das pessoas desloca-se para outro plano."

"Os brancos, ele repete, são aqueles que "só sonham consigo mesmos", que dor-mem em "estado de espectro", como um "machado no chão". Pesados, presos às próprias histórias pessoais, eles não viajam longe, não fazem do sonho um ins-trumento de conhecimento sobre o mundo."

"Guattari já alertava que a separação rígida entre o mental, o social e o ambiental resulta de um regime de subjetivação capitalista."

"Contam os Yanomami que Omama, o demiurgo, criou a árvore dos sonhos a fim de que os humanos pudes-sem sonhar. Quando as flores dessa árvore desabro-cham, os sonhos são enviados aos Yanomami. Este livro se oferece, em certo sentido e a seu modo, a ser lido como uma árvore dos sonhos com as flores ainda por desabrochar."

"Acho que vocês deveriam sonhar a terra, pois ela tem coração e respira. DAVI KOPENAWA, entrevista a F. Watson, jul. 1992."

"Em seus sonhos, Kopenawa sobrevoava a floresta; seus braços se transformavam em asas, grandes como as de uma arara vermelha. Do alto, ele con-templava a paisagem. Mas, quando menos esperava, despencava no vazio e acordava em pânico, chorando. Nesses voos oníricos, eram os espíritos xapiri pë que carregavam sua imagem para bem alto no céu. É isso que esses espíritos fazem quando querem que uma criança se torne xamã."

"Antigamente esses seres não existiam; foram cria-dos por Omama, o demiurgo, a pedido de sua esposa, Thuëyoma. Após terem procriado, a mulher pergun-tou ao marido: "O que faremos para curar nossos filhos se ficarem doentes?". Omama se pôs a pensar, mas não sabia o que fazer. Foi então que Thuëyoma disse: "Pare de ficar aí pensando, sem saber o que fazer. Crie os xapiri, para curarem nossos filhos!".

"Naquele tempo, os espíritos vinham me visitar o tempo todo. Queriam mesmo dançar para mim; mas eu tinha medo deles. Esses sonhos duraram toda a minha infân cia, até eu me tornar adolescente. Primeiro, eu via a cla ridade cintilante dos xapiri se aproximando, depois eles me pegavam e me levavam para o peito do céu. [...] Os xapiri não paravam de carregar minha imagem para as alturas do céu com eles. É o que acontece quando eles observam com afeto uma criança adormecida para que se torne um xamã. (pp. 89-90)"

"Os xapiri pë que Kopenawa via em sonhos desde a infância são em sua maioria os yarori pë, ances-trais humanos que tinham nome de animais e es-tavam sempre se transformando. Eles deram origem aos animais de caça que hoje os Yanomami flecham e comem, os yaro pë. Mas apenas sua pele (siki) se transformou em animal de caça - sua imagem (utupe) deu origem aos espíritos auxiliares, xapiri pë. Quando Kopenawa foi iniciado no xamanismo por seu sogro, os xapiri pë passaram a levar seu utupë para todos os lugares, e ele pôde então contemplar os seres do primeiro tempo. Foi só depois de experimentar a yā-koana que passou a sonhar de verdade (p. 103). Sob efeito do pó durante o dia, Kopenawa morre e seu espectro é carregado pelos seus xapiri pë, que o levam em todas as direções para conhecer coisas desconhe-cidas. Tudo que existe na floresta possui uma ima-gem utupë e são essas imagens que os xamās fazem descer (p. 116)."

    • 21/04

"O sonho yanomami, longe de se constituir como uma profecia irremediável, diz respeito a temas e a circunstâncias que podem ser contornados, mas para tanto ele precisa ser socializado. Contar um sonho no centro da casa teria um efeito profilático, já que as pessoas orientariam suas condutas levando em conta o que o sonho pressagia. Se alguém sonha com os inimigos próximos da casa coletiva, as pessoas ficam alertas e não se afastam da casa nem andam desa-companhadas pela floresta. Não significa, contudo, que os sonhos determinem a vida das pessoas: eles servem como orientações e são levados em conside-ração sobretudo quando se referem a alguma ameaça nefasta."

apr 18 2026 ∞
apr 21 2026 +