• "Bom, Teo" eu poderia ter dito. "Não planejei viajar para casa porque tive a intuição de que meu namorado emocionalmente distante tinha programado uma viagem romântica de surpresa, durante o qual eu esperava superar essa distância emocional, mas aí a filha dele, que eu nem sabia que existia e que acabou de ser abandonada pela mãe, apareceu no café ontem e, agora, está aqui sentadinha, toda tristonha e encantadora, e por isso o que vamos fazer no Natal agora é uma incógnita."

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  • O choque do novo. Eu gosto; você gosta. Não existe surpresa igual a uma nova surpresa. Mas sou fã ainda mais ardorsa do choque de reconhecimento (...)

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  • (...) de uma coisa eu sei: existe algo sagrado no amor, retribuído ou não, e as pessoas que não o recebem com gratidão são extremamente arrogantes. No enterro de Martin, eu me agarrei a este fato e, nos últimos segundos, o libertei. Lancei meu agradecimento no ar como se fosse um pássaro, na esperança de que, se ele não encontrasse Martin, pelo menos se somaria à bondade que devia haver por lá.

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  • Mas vou dizer uma coisa: tente pertencer de corpo e alma a um homem que nunca lhe pertencerá; então veja se ainda gosta desses filmes. "Não deseje a lua - nós temos as estrelas" É claro, Bette, mas eu fiquei ali no cemitério sob o toque da mão de Teo, todo o meu ser gritando: "Perdoe-me por dizer, mas danem-se as malditas estrelas!"

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  • O que você faz quando se apaixona pelo último homem na terra por quem poderia se apaixonar? Você planeja uma vida, uma vida real, sem ele.

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  • Há pessoas cujas mortes causam em você profunda tristeza. E há pessoas cujas mortes impedem o sol de nascer, mortes que deixam as paredes negras em cada cômodo que você atravessa, mortes que lançam nuvens negras e vendavais na sua cabeça e impedem você de ouvir música e de reconhecer a própria mobília ou o seu rosto no espelho.

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  • Existe um tipo de ternura que só é possível um pouco antes do amanhecer, uma ternura azul-acinzantada, solitária, que nasce do sono, do silêncio, do início de claridade. Um tipo de ternura e um tipo de esperança. Eu sempre achei difícil sentir raiva naquela meia hora que antecede o nascer do sol (...)

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  • Concluiu que, mesmo quando alguém não é perfeito nem mesmo especialmente bom, você não pode ignorar o amor que essa pessoa sente. Amor era pra sempre amor; tinha uma retidão própria, mesmo quando a pessoa que o sentia era cheia de defeitos.
oct 5 2010 ∞
mar 10 2014 +