|
bookmarks:
|
| main | ongoing | archive | private |
Querida Sienna,
Estive pensando em você, assim como em todos os outros dias.
Ando me sentindo ansiosa com a ociosidade, presa ao ofício, mas ainda assim a sua imagem me persegue e me traz tanta calma. Pensar em você é a resposta que eu tive ao acaso, sem intenção alguma de achá-la. Encontrei em meus passos predestinados a você a gentileza, o brilho no olhar, as cores que ninguém mais conhecia e que eu, uma mera formiga entre outras sete bilhões e uns bocados, fui capaz de absorver como ondas em pedras rochosas, consumindo-as pouco a pouco. Um mês se passou desde que escolhemos unir nossas almas em uma, ainda que você tenha sido parte de mim muito antes de qualquer encontro. Lembro que, antes mesmo de acontecermos, sua lembrança já me remetia à brisa fresca de um dia ensolarado: calma, tranquila, agradável e confortável. Seu coração me conquistou antes mesmo de seus toques calorosos, seus sorrisos sem graça a cada apelido me atingindo como uma profecia adocicada. Quando chegou a mim... soube que não tinha escapatória. Me fiz completamente refém. Refém da promessa de que eu não viveria mais um segundo se não fosse para encontrar você e aquele sorriso dia e noite, noite e dia. E como? Como eu poderia tirá-lo de você? Demonstrá-lo ao mundo em seu esplendor inestimável? Quis fortificar a existência da beleza presente em cada confissão esbranquiçada fugindo pelos cantos dos lábios rosados, quis ser o motivo e o sentido mais do que qualquer outro objetivo. Ansiava por sua atenção, como um delírio. Monstruoso. Tomando forma, conheci o significado do amor — apesar de não lhe dar explicação, de ser cruel como o conhecia. O que eu sentia era vívido, fugaz, aos poucos amei mais e mais, passo a passo, florescendo em mim o desejo de ser sua, inteira, um segredo guardado por tempos preciosos até ser esbravejado. E, confessando aos quatro cantos, continuei gritando de dentro. O que outrora foi tormento em meu coração se tornou esperança. Eu quero ser sua a cada alvorada, porque é no seu amor que eu me perco e me encontro no mais clichê dos significados. Cada clichê escrito em livros de romance, em lembranças fotografadas, em cordéis encantados. Esses não eram mais afugentados, além de desejados; me vi querendo construir um álbum repleto de memórias ao seu lado. Falam que o amor nos transforma, a mudança invisível aos olhos, e devo confessar, meu amor, minha doce garota, em cada partícula de mim, me sinto transformada — não para pior, não para melhor, mas para seguir os passos que devo a mim e, agora, a você também. Como se nada fizesse sentido na sua ausência, ainda assim continuando em uma caça em busca de seus resquícios sublimes, únicos e essenciais. Em minhas boas intenções, reflito você através de mim, e o seu caminhar se torna o meu em um piscar. Reafirmo, revivo e reconheço. Com os seus olhos, pude ousar os meus a serem mais atenciosos, amáveis, serenos. Prossigo e assisto você viver como uma projeção divina, admirando-a pelos escombros, consumindo suas palavras com a sede de um conhecimento obsessivo e com a certeza de que faço a escolha certa nessa caminhada. Estar ao seu lado é onde eu quero e devo estar, porque Deus quis assim, e eu o obedeço em adoração. Deitada na cama e coberta por lençóis, meus pensamentos me causam arrepios — declarando a dominância que o seu ser tem sobre mim. Ainda estou pensando em você como penso em respirar, inconscientemente e, às vezes, feito um furacão, devorando qualquer coisa que ousa tocar o seu nome além dos sussurros do vento que me segredam suas curvas decoradas. Nessa realidade, é tão errado assim sonhar com um mundo coberto de nós duas e nada mais? E, meu bem, nesse pensamento egoísta e mesquinho, estou em paz. Estou em paz porque você existe além de mim e dessa vida, e eu te vejo. Eu te vejo com os meus olhos cheios de ternura e compreensão.
Quero continuar caminhando para além de onde os meus olhos conseguem enxergar, para um futuro cristalino e próspero como as ondas do mar. Com você, sempre com você. Espero que queira me acompanhar também.