Eu tenho tanta coisa para falar. Faz tanto tempo que eu não escrevo que me sinto perdido nas palavras para usar com você. Eu nem sei se você vai ver isso, mas acho que falar isso vai tirar um peso enorme nas minhas costas.
Pamela, princesa. Esse apelido se tornou seu. Eu não consigo falar "princesa", porque sempre me remete a você. Eu chamo a Valentina de princesa, mas acho que são ideias diferentes. Você entende isso, certo?
Desde que você se foi, na verdade, desde que a gente se foi, eu perdi toda a minha inspiração para escrever. Eu comecei a escrever antes de te conhecer, mas era pouca coisa. Eu ainda estava aprendendo, sem sentir de verdade os meus sentimentos. Mas, desde que você apareceu na minha vida, tudo começou a ser sobre você. Eu escrevia minhas poesias com tanta facilidade... era só pensar no que eu sentia por você que as palavras surgiam sozinhas. Era tudo novo, sentia coisas que nem pode ser definidas por palavras, apenas sentidas. Mas desde que a gente se foi, eu fiquei com um bloqueio criativo, sentimental, sei lá, muito forte. Ficou impossível, sinceramente. Mas acho que esse não é o foco das coisas que eu tenho para te dizer.
Você não caiu em nenhum jogo. Eu nunca menti os meus sentimentos para você. Eu te amei de um jeito que vou lembrar pelo resto da minha vida.
Eu acho estranho sentir que comecei a entender o mundo ao meu redor quando te conheci. Parece que você me ensinou a gostar das minhas próprias coisas. Você me perguntava sobre elas e prestava atenção de um jeito que eu nem sabia que precisava. Era como se você enxergasse valor em coisas que nem eu percebia que amava tanto. Não sei explicar isso direito, mas eu vi isso. Aprendi isso vendo você falar das coisas que gostava.
Eu fico maluco porque essas coisas que eu amo passaram a ser sobre você também. Over the garden wall, arte, sentimentos, cheirinhos, olhos... Quando eu lembro que gosto dessas coisas, eu lembro de você.
Enfim... tenho mais coisas para falar. Talvez isso aqui fique muito sem contexto. Então imagina que eu estou falando sem parar, de um jeito ansioso, como se eu fosse desaparecer do mundo e precisasse que você escutasse tudo o que eu tenho para dizer.
Eu fiquei um bom tempo procurando aquele site, o Listography. Tentei achar pelo Instagram, tentei fazer backup do WhatsApp, procurei no Telegram, no Gmail, na IA, no Reddit, em tudo. E eu não achava. Aí pensei: "esse site deve ter sido excluído".
Passaram alguns meses. Eu te vi em um show do Yago. Tenho quase certeza de que você não me viu naquele dia. Eu estava com alguns amigos que você nunca conheceu, mas que sabem da sua existência. Eu te vi no mesmo lugar em que ficamos da última vez. Eu estava atrás de você, coisa de cinco passos de distância, mas pareciam os cinco passos mais distantes do mundo.
Eu fui embora antes de acabar o show. Tocou "Papoulas" e eu fiquei com o coração apertado. Sinceramente, até hoje tenho medo de escutar o álbum novo e ele acabar sendo sobre você.
Mas voltando ao assunto principal, passaram mais alguns meses e eu voltei com a ideia do Listography. Um site não pode simplesmente sumir, né? Então procurei de novo, da mesma forma, em tudo, e não achava.
Resolvi escutar a poesia que mais me fez chorar enquanto escrevia, a da Lua. Enquanto escutava, pensando em você, lembrando do dia em que tive a minha última crise... de ansiedade? Sei lá. Foi a pior sensação que já senti na minha vida. Foi quando achei que você tinha ido embora do Parque Vila Lobos.
Então tive uma ideia: e se eu jogar alguns versos dessa poesia no Google?
E funcionou.
Achei o site que eu fiz para você.
Fiquei lendo tudo, vendo as fotos, o esquema de cores que combinava com o álbum do Yago. Depois fui ver o que você tinha feito para mim. Quando percebi que havia algo novo, parado ali há mais de um ano, eu fiquei em choque. Eu lia cada palavra como se meu coração fosse parar antes de terminar o texto.
Enquanto lia, eu lembrei da forma linda como você escrevia. Você me fazia ler cada palavra no tom da sua voz, que ecoava na minha cabeça. Eu, bocó, achando que não lembrava mais dela. Ela nunca me pareceu tão viva naquele dia.
Sem reação, coloquei apenas uma frase, só para saber se um dia você iria ver aquilo.
Mas enfim, deixa eu falar sobre outra coisa que também tenho para te contar.
Acho que isso vai ser um pouco pesado de falar.
No aniversário de cinco anos da Valentina, tinha uma amiga da minha mãe com uma neném. Elas estavam interagindo, brincando. Em um momento, a neném começou a chorar e estendeu os braços pedindo colo para a mãe.
Aquilo me fez pensar uma coisa que eu penso até hoje.
"A Pamela seria uma mãe incrível."
E eu pensei isso de uma maneira tão genuína, tão espontânea, que logo depois fiquei completamente sem reação. Eu não sei por que pensei aquilo. Simplesmente aconteceu. Saiba de uma coisa também, meus filhos vão escutar sobre você, e espero que você comenta um dia com os seus também, sobre o menino das poesias, o seu bocó.
Enfim...
Não dá para falar de tudo o que aconteceu nesses últimos tempos, mas ainda tenho mais uma coisa para te dizer.
Atualmente eu estou muito longe do estado de SP. Falar nunca é uma palavra muito forte, mas eu não vou ter nem a mínima chance de te encontrar por acaso em uma estação qualquer. Recebi uma proposta de trabalho e agora estou muito longe.
Então, o foco principal de tudo isso que estou te falando é te agradecer, Pamela.
Você me mudou. Você marcou a minha vida para sempre. Eu nunca vou esquecer de você. Eu te amei muito. Eu errei muito.
Você se desculpou pelas falhas de comunicação, mas eu também errei muito com você. Eu não sou muito de falar sobre arrependimentos, porque acredito que, se aconteceu, aconteceu do jeito que tinha que acontecer. Mas eu gostaria de ter feito diferente.
Eu deveria ter sido menos defensivo nas nossas conversas, mas aprendi com isso, você me ensinou muitas coisas.
Você era muito paciente comigo. Apesar disso, eu também era muito cauteloso com você. Eu sentia que estava pisando em ovos o tempo todo. Mas a culpa não era só sua. Eu tinha muito medo de te machucar de novo, e também tinha medo de me machucar.
Eu não gosto de dizer que fui uma pessoa traumatizada, porque as outras pessoas não têm nada a ver com isso. Mas você, na Porto, tirou esse trauma de mim com muita facilidade. Eu só não sabia como reagir a isso.
Mas o foco não é me desculpar.
Eu quero te agradecer.
Então, muito obrigado por tudo.
Você me ensinou muito mais do que o que é a vida. Você me ensinou a viver da forma certa. A sentir. Porque sentimentos são tudo o que nós somos.
E eu aprendi isso vivendo com você.
Eu não sei o que somos, nem o que fomos. Mas sei que fomos verdadeiros. Do começo ao fim, o sentimento foi muito mais que verdadeiro.
Se cuida, minha princesa.
bocó, chen.