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Um dia.
O que é um dia, senão um instante? Algo breve, fugaz, quase imperceptível.
A própria palavra “efêmero” carrega esse sentido: aquilo que dura apenas um dia. Ou seja, algo breve. E de certa forma, é isso que somos.
Seres de um dia.
Mas o que é curioso nisso é como a efemeridade define a nossa existência. Porém, nunca é atribuída aos deuses. Eles são eternos, imutáveis, inalcançáveis.
E ainda assim... talvez seja exatamente aí que mora a diferença.
Nós valorizamos o tempo porque ele acaba. O nosso tempo é breve, é finito. Cada momento carrega um peso, porque pode ser o último. Cada escolha é carregada de importância, porque não pode ser repetida infinitamente.
Os deuses, não. Eles possuem a eternidade, a beleza, a força. Mas lhes falta o principal: a urgência. Falta o limite. Falta o fim.
E sem o fim, o que dá significado ao que existe?
Talvez seja por isso que em tantas histórias, os deuses invejem os mortais. Obviamente não pela fraqueza, mas pela intensidade. Não por esta terrível limitação a nós imposta, mas pelo valor que com ela criamos.
Porque tudo se torna mais precioso quando sabemos que não vai durar.
Tudo é mais bonito porque somos condenados.