Você me perguntou se eu te escreveria outro texto, mas eu lembrei que teve alguns que eu nunca tirei das minhas notas e eu acho justo colocá-los nessa coletânea que compartilhamos.

Hoje percebi que estar ao seu lado era como fotografar no modo manual. Às vezes desfoca, às vezes superexpõe, mas sempre vale cada ajuste porque o resultado é vivo. Real. Eu não sei o nome de todos os sentimentos que a vida me provoca, mas sei que é com você que quero descobri-los. E por muito tempo, foi dessa forma, porque eu sempre te vi como o detentor de todo o amor que eu almejava pro meu coração.

Sinto sua ausência nos detalhes pequenos: no eco de noites sem a tua respiração por perto, na falta de alguém pra rir quando eu contava alguma história sobre os meus alunos, no vazio dos lugares que costumávamos desvendar juntos. Mas também sinto sua presença em tudo: nas palavras que uso, nos filmes que vejo, nas músicas e até mesmo nas fotos que tiro. Acho que nunca foi só saudade. É um tipo de presença disfarçada de falta. Entretanto, eu sei que não há como perder lugar no coração que um dia já foi casa.

Se o mundo esquecer da gente

E a cidade das estrelas apagar os faróis

A gente acende tudo com lembranças genuínas

E refaz o tempo entre dois sóis

Eu lembro de ter te dito uma vez que amava você com a sensação de recomeçar o infinito. Essa concepção nunca se alterou ou perdeu o sentido.

mar 15 2026 ∞
jul 25 2026 +