Na colina me sento, vejo e ouço o mar. Como sempre, digo que há muito tempo não escrevo. O rosto é transparente, vê-se tudo que está por dentro e as cores que lá existem. Sou dois opostos. Nunca soube exatamente o que era o amor, por outro lado, sempre soube que há coisas que não são para serem entendidas. Sempre temos a curiosidade de saber, mas e quando isso não é necessário? Cale sua boca, apenas não. Não busque por respostas. Acalme sua mente. Qual nome dado para algo que está tão afastado do mundo e ainda assim se deixa expor? No canto das paredes eu sempre estive, bombardeando o centro com meus olhos e minhas palavras. A qualquer momento desapareço do seu lado para estar acima do prédio de dois andares o encarando na sacada. Pisque de novo e eu estarei em outro lugar, sempre observando. Você? Não seja estúpido. Meus olhos gostam de devorar tudo com o prazer de que aquilo não findará.
O sol mal tem força para brilhar hoje, as nuvens grossas e espessas como lágrimas cheias de sentimentos — bem nutridas com a chuva —, passam bloqueando tudo. Meu peito queima como se fosse colapsar, em outros, congela e me arranca gemidos no vazio. Masoquismo. Mastigo folhagens, as águas do mar. O tenso prazer explode ao devorar. Como dizer que quero ser o consumido? Troquemos as posições, sane o meu desejo de ser devorada. Pelas folhagens, pelas águas do mar, pelas bocas e olhos que querem rasgar.