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Mò Liáng 墨凉 (tinta negra).
Chinesa, restauradora de obras literárias — pinturas e artefatos culturais no Centro de Restauração e Conservação Cultural de Anhui. Fotógrafa de erotismo, retratos, cotidiano e signos, mestre de amarração de cordas kinbaku (shibari).

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Desorganizei-me. Tenho que aquietar minha mente, o meu coração, mas as canções gritam sobre o vão escuro da minha cabeça e as palavras correm como um trem. O céu está nublado, o que fazer para desacelerar o próprio corpo? O querer nós já temos. Muitas informações. Queria afundar o rosto na água e deixar com que ela afogue minhas palavras, e quando não houver mais nada em meu corpo, eu estarei flutuando. Não precisaria tirar minhas roupas, revelar minha nudez sem presunção.

O corpo como morto estaria olhando debaixo do mar, seria um só com sua fina camada da superfície. Eu ondularia mais uma vez e não ouviria nada, a não ser o próprio mundo respirando longe de seus mais hediondos habitantes. Não seria a água a apertar-me, mas a gola presa ao meu pescoço. Branca, encharcada, curvas à mostra. Fininho, fininho, enrugaria o tecido em si mesma, até desaparecer. Viria então o arrepio nos ombros. Consequência: sentiria frio. A água me tomaria pelos pés.

Haveria um fundo para colocar meus pés sensíveis ou eu apenas afundaria, e afundaria, e afundaria, e afundaria... e afundaria.

Olhos fechados, mãos sem peso para o alto. Não há gravidade. Os cabelos dançam para todos os lados, formando ondas sobre si mesmos. Afundando, cada vez mais fundo. A força invisível puxando pelos pés abaixo. Deixou-se no meio. Dos seios. Das pernas. Dos lábios. Da vista. Da água. Os quatro cantos do mundo tornaram-se azuis. Todos eram iguais.

jan 21 2026 ∞
jan 22 2026 +