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pérolas, encontradas nas mais distantes e isoladas partes do oceano, são produzidas por ostras e mexilhões, que, mediante infiltração de grãos de areia entre o molusco e sua concha, produzem, ao redor do corpo estranho, substância rija e nacarada que reveste o invasor e protege o organismo do animal. pérolas são, portanto, mecanismos de defesa, filhas da dor e do mar. são símbolos de feminilidade, pureza, resiliência, estima e cintilância. são os raios de luz lunar perdidos em meio às águas salgadas, são as gotas do leite materno de hera que pingara do espaço quando ela criou a via-láctea. são a representação do que a escrita significa para mim: os pensamentos permeiam-me a mente e, de meu nácar, nascem palavras primorosas e limadas: as pérolas de minh’alma.

em algum lugar longíquo, da terra afastado,

entre conchas, na água em profundeza,

jaz, quieto, um molusco atormentado.

em seu tecido nacarado,

para proteger-se de aspereza,

seu corpo torturado

cria uma oculta beleza.

quisera eu ser fava de baunilha,

de sentir sempre maravilha,

de ser, da doçura, filha;

sou, porém, herdeira do amargor e do nácar,

o raro e escondido tesouro da ilha:

não sou mel; sou, do oceano, esquírola,

nasci da dor e do mar.

quando, então, o conflito se vê terminado,

as sereias, a nado,

me vão lá buscar;

há de se dar valor a um brilhante perolado —

elas me vestem para seus cabelos adornar.

a dor de outrora é agora pranto amenizado: minhas palavras a haviam transformado

em algo bonito, algo valorado.

teria, então, a dor valido a pena?

é isso o que a torna cimélio tão estimado?

porém, nunca está realmente terminado;

os poetas são assim, espírito perturbado.

em breve, o molusco retorna ao seu anterior estado…

e, enquanto produz seus tesouros a ostra,

na praia, tu observas a silenciosa orla.

meu nome, tu bem sabes, é helena,

mas, com minha pena,

assino este poema

com amor,

pérola.

dec 18 2022 ∞
aug 11 2026 +