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pérolas, encontradas nas mais distantes e isoladas partes do oceano, são produzidas por ostras e mexilhões, que, mediante infiltração de grãos de areia entre o molusco e sua concha, produzem, ao redor do corpo estranho, substância rija e nacarada que reveste o invasor e protege o organismo do animal. pérolas são, portanto, mecanismos de defesa, filhas da dor e do mar. são símbolos de feminilidade, pureza, resiliência, estima e cintilância. são os raios de luz lunar perdidos em meio às águas salgadas, são as gotas do leite materno de hera que pingara do espaço quando ela criou a via-láctea. são a representação do que a escrita significa para mim: os pensamentos permeiam-me a mente e, de meu nácar, nascem palavras primorosas e limadas: as pérolas de minh’alma.
♡
em algum lugar longíquo, da terra afastado,
entre conchas, na água em profundeza,
jaz, quieto, um molusco atormentado.
em seu tecido nacarado,
para proteger-se de aspereza,
seu corpo torturado
cria uma oculta beleza.
quisera eu ser fava de baunilha,
de sentir sempre maravilha,
de ser, da doçura, filha;
sou, porém, herdeira do amargor e do nácar,
o raro e escondido tesouro da ilha:
não sou mel; sou, do oceano, esquírola,
nasci da dor e do mar.
quando, então, o conflito se vê terminado,
as sereias, a nado,
me vão lá buscar;
há de se dar valor a um brilhante perolado —
elas me vestem para seus cabelos adornar.
a dor de outrora é agora pranto amenizado: minhas palavras a haviam transformado
em algo bonito, algo valorado.
teria, então, a dor valido a pena?
é isso o que a torna cimélio tão estimado?
porém, nunca está realmente terminado;
os poetas são assim, espírito perturbado.
em breve, o molusco retorna ao seu anterior estado…
e, enquanto produz seus tesouros a ostra,
na praia, tu observas a silenciosa orla.
meu nome, tu bem sabes, é helena,
mas, com minha pena,
assino este poema
com amor,
pérola.