Valter Silvério

projeto unesco

    • surge numa perspectiva de equacionamento da questão racial especialmente pelo holocausto; menos pelo processo de libertação do povo africano
    • encontro entre uma tradição que pensava o negro como destituído de capacidades e habilidades; racismo com base numa estereotipia, fomentada pelo simbolismo cristão
      • modelo progressista, mas inserido na conjuntura. a forma com que o negro é pensado por ele gerou o modelo patológico.
    • modelo patológico: esse grupo entra na história já como destituidos dessas capacidades e habilidades e isso fomenta aquela forma de pensar baseada no modelo religioso
    • marca a primeira fase de tentativa de pensar quem é esse negro e como eles podem ser inseridos no capitalismo atual

segundo momento

    • publicação do livro 'Sociological theory, race and colonialism'. Livro importante porque chama atenção para um aspecto ausente: a importancia de se considerar o debate sobre relações raciais (nome que surgiu a partir do ciclo de relações raciais feito por Robert Park nos anos 30): seria necessária a consideração do colonialismo enquanto um fator que marcou a história das sociedades ocidentais, especialmente a partir do encontro colonial do sec xv; marca uma mudança na forma como se pensa raça e relações raciais. Não despreza a consideração de como o simbolismo cristão influenciou ou construiu uma imagem de negro/africano, mas aposta na interpretação da raça como uma construção social e o racismo como passível de superação ou diminuição por meio de políticas de igualdade racial e estimulo à mobilidade social.
        • modelo construtivista que se contrapõe ao modelo patológico. reconsidera/desloca o que é o negro e como o negro passa a ser pensado pelo ponto de vista do social.
        • colonialismo: criação de profundas hierarquias e de formas de dominação política que precisavam ser incorporados aos modelos de explicação das ciencias sociais

terceiro momento

    • impactos tanto do mov de direitos civis quanto do ciclo de lutas de libertação do continente africano quanto a constituição de movimentos negros em alguns lugares do mundo que vão passar a questionar a forma como eles são considerados na teoria quanto tomam para si a possibilidade ou a construção de um tipo de conhecimento que releia ou reconsidere a forma como os negros ou os africanos entram na história
      • transição na forma como os negros passam a ver a maneira como são construídos pelos modelos teóricos; por outro lado passam a constituir um tipo de produção que questiona esse modo como o negro é construído na história.
    • surgimento de um modelo desconstrutivista: raça e racismo interferem tanto na nossa construção epistemológica, do ponto de vista das ciências sociais quanto na conformação de instituições que normalizam nossas relações cotidianas, i.e., nossas práticas são práticas racializadas.

é possível verificar os momentos e os modelos na forma como se desenvolvem o pensamento sociológico brasileiro. porque eles convivem de modo tenso nas explicações contemporaneas e podemos observar a forma como o racismo é constituído no seu interior: seja a) com base no estereótipo mas com intervenção na construção de políticas seja b) constitutivo do campo jurídico, educacional, saúde, qualquer campo. a forma como percebemos essas dimensões da vida social estão atravessadas por uma forma racializada de ver o mundo.

a convivencia dos três modelos de forma tensa no mundo contemporâneo ou do brasil são parcialmente desestabilizadas por duas perspectivas:

    • feminismo negro -- é uma perspectiva importante porque nos obriga a pensar a forma como as mulheres negras são pensadas no interior desses modelos. obrigação de ler as perspectivas feministas para entender o questionamento posto ao modelo.
    • surgimento da categoria diáspora africana -- surge em meados da década de 60 a partir de um autor chamado joseph harris é importante porque passa a deslocar não apenas a forma que se pode ver a experiencia negro/africana mas permite que se olhe os diferentes contextos em que tem a presença de negros/africanos de uma outra forma, inclusive entendendo no interior desses contextos como esses modelos operaram ou operam na construção do campo das relações raciais e do campo das políticas públicas a partir do posicionamento dos negros no interior da sociedade.

é obvio que por trás dos modelos está a conjuntura social que está informando. esse novo momento nos coloca alguns desafios

    • o que eles deixam de lado?
        • o modelo patológico: como ele considera os negros sem capacidades e habilidades para adentrar a modernidade/modernização, ele não pode considerar a agência política negro-africana no momento da colonização, por exemplo. --- passamos todo o tempo não lendo sobre as rebeliões de escravos, etc. elas ficam de forma pq na medida em que no negro fosse incluído como agente, a história seria outra. --- como constituir esse processo atribuindo o real significado desses conflitos enquanto questionadores dessa posicionalidade que os negros adquiriram na escravidão ou pós-escravidão.
        • necessidade de explicitar as relações entre o nacionalismo metodológico e a seletividade que ele opera nos modelos de explicação que comportam a experiência negra. o feminismo negro e a categoria diáspora ampliaram a possibilidade de pensar as condições da experiencia temporalmente e espacialmente --- outro tipo de olhar para as lutas empreendidas por esses grupos.
        • uso das categorias: diáspora africana, racialização, articulação raça-classe-genero, interseccionalidade -- que podem permitir uma nova leitura da experiência negra.
        • transição entre uma forma de pensar (do ponto de vista da construtivista para uma teoria constitutiva da raça: transição importante para a necessidade de pensar/repensar o processo em termos de processo de racialização e que portanto o racismo enquanto ideologia pode ser compreendido a partir de suas metamorfoses no processo de racialização que é demarcado ou pode ser lido por demarcações em suas metamorfoses históricas.
        • conjuntura: em que estamos sendo chamados a intervir para preservar a própria instituição universitária que vem sendo ameaçada e uma das ameaças tem a ver com o que a gente pode considerar a leitura racializada e racista que se faz em vários lugares do mundo que guarda relação com a ampliação com o número de pesquisadores e estudantes negros na universidade.

marcia lima argumenta que as pesquisas quantitativas eram importantes naquele momento pela importância do uso do dado como uma forma de produzir estatística como uma forma de denunciar o racismo no brasil; se caracterizou como parte de uma agenda de denúncia do racismo. havia uma necessidade de se combater a ideia de que a discriminação era de classe e não de raça e a questão ainda muito forte do ideado da democracia racial e como isso se colocava no debate publico a necessidade de reforçar e construir o debate publico de forma com que a 'praxis critica' também se valia dessa produção intelectual. e começa a haver pesquisas do feminismo negro.

    • a produção sobre discriminação social ainda encarava muitos desafios; traçar a relação entre os processos discriminatórios e os estudos de discriminação (trabalhos como o do antonio sergio guimaraes 'preconceito e discriminação').

Edilza soltero

    • tres campos/disciplinas que são e foram fundamentais para a compreensão e desenvolvimento das ideias sobre relações raciais no brasil. 1) psicanálise. lélia gonzalez. neuza santos souza. 2) historiografia. pouca informação sobre agencia negra. 3) estudos de gênero. --- área multidisciplinar.
    • debates sobre preconceito e discriminação: tavam ali se guiando para pensar atitudes, ainda numa chave de não abordar a questão numa perspectiva estrutural. entende que diversas questões são abordadas mas há algo significativo: estudo com lideranças negras. esse tópico coloca para o campo do estudo dos movimentos negros. florestan. análise propriamente sociologica.
    • desigualdades, estratificação racial
    • racismo x antirracismo: uma analise voltada e detida para o movimento negro. é herdeira da tradição; mas vai colocar questões diferentes das que eram colocadas quando o foco eram as lideranças negras. o mov negro é pensado como ator social significativo; diferentes formas de atuação dentro do que é entendido sob a chave de movimentos negros. mas inseridos no tópico do racismo x antirracismo. novo binomio: racialização e a formação racial.
    • políticas públicas. ações afirmativas.
    • racialização e formação racial /pesquisar
jul 14 2023 ∞
jan 9 2026 +