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˖ ࣪ ⊹

sonhos são apenas esperanças de um mundo melhor, fantasiamos, idealizamos, projetamos e então morremos em onirodinia.

entretanto, se não fossem por estes mesmos sonhos, talvez nem mesmo teríamos tentado compreender os pesadelos. menos ainda o mundo.

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  • Arrancado dos céus por uma mão nefasta,
  • confinado numa jaula de carne, casta.
  • Esta finita e limitada a sempre vagar:
  • em dor, alegria, pavor, vou aos Céus clamar

  • Mil vezes surgi, mais sete padecerei,
  • impotente e fraco jamais vingarei
  • em um mundo de um Deus narcísico e egoísta,
  • do paraíso baniu-nos, meu antagonista

  • Lhe odeio em todo meu âmago Deus pueril,
  • ser de “luz” pura, “benevolente” e “gentil”.
  • Em seu estômago guarda treva e horrores,
may 19 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Falas de amor, e eu ouço tudo e calo!
  • O amor da Humanidade é uma mentira.
  • É. E é por isto que na minha lira
  • De amores fúteis poucas vezes falo.

⊹ ࣪ ˖

  • O amor! Quando virei por fim a amá-lo?!
  • Quando, se o amor que a Humanidade inspira
  • É o amor do sibarita e da hetaíra,
  • De Messalina e de Sardanapalo?!

⊹ ࣪ ˖

  • Pois é mister que, para o amor sagrado,
  • O mundo fique imaterializado
  • — Alavanca desviada do seu fulcro —

⊹ ࣪ ˖

  • E haja só amizade verdadeira
  • Duma caveira para outra caveira,
  • Do meu sepulcro para o teu sepulcro?!
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Acordou, vendo sangue... — Horrível! O osso
  • Frontal em fogo... Ia talvez morrer,
  • Disse. olhou-se no espelho. Era tão moço,
  • Ah! certamente não podia ser!

⊹ ࣪ ˖

  • Levantou-se. E eis que viu, antes do almoço,
  • Na mão dos açougueiros, a escorrer
  • Fita rubra de sangue muito grosso,
  • A carne que ele havia de comer!

⊹ ࣪ ˖

  • No inferno da visão alucinada,
  • Viu montanhas de sangue enchendo a estrada,
  • Viu vísceras vermelhas pelo chão ...

⊹ ࣪ ˖

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Misericordiosíssímo carneiro
  • Esquartejado, a maldição de Pio
  • Décimo caia em teu algoz sombrio
  • E em todo aquele que for seu herdeiro!

⊹ ࣪ ˖

  • Maldito seja o mercador vadio
  • Que te vender as carnes por dinheiro,
  • Pois, tua lã aquece o mundo inteiro
  • E guarda as carnes dos que estão com frio!

⊹ ࣪ ˖

  • Quando a faca rangeu no teu pescoço,
  • Ao monstro que espremeu teu sangue grosso
  • Teus olhos — fontes de perdão — perdoaram!

⊹ ࣪ ˖

  • Oh! tu que no Perdão eu simbolizo,
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • — Faça-me o obséquio de trazer reunidos
  • Cloreto de sódio, água e albumina...
  • Ah! Basta isto, porque isto é que origina
  • A lágrima de todos os vencidos!

⊹ ࣪ ˖

  • — "A farmacologia e a medicina
  • Com a relatividade dos sentidos
  • Desconhecem os mil desconhecidos
  • Segredos dessa secreção divina"

⊹ ࣪ ˖

  • — O farmacêutico me obtemperou. -
  • Vem-me então à lembrança o pai Yoyô
  • Na ânsia física da última eficácia...

⊹ ࣪ ˖

  • E logo a lágrima em meus olhos cai.
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
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  • 21 years.
  • brazilian
  • he/him

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  • poetry
  • games
  • music
may 19 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • ☐ bring "cogito ergo sum." alive.
  • ☐ bleed some more poems into some more pages.
  • ☐ get to meet some of my virtual friends (0/7).
  • ☐ see the ocean once again.
  • ☒ praise the aeterna argentia.
  • ☐ die.
may 19 2026 ∞
may 19 2026 +

wyp

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +

wyp!!!!!!!!

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +

wyp!!!!!!!!!!!!!

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +

wyp!!!!!!!!!!!!!!

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +

wyp!!!!!!!!!!!!

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +

wyp!!!!!!!!!!!!

jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Cítaras e harpas num céu incandescente,
  • almejo-as em lancinante amor, sagradas
  • são as suas palavras, as minhas? danadas.
  • Sou impuro pecador, indigno, indecente.

໒꒱

  • Sou um vexame diante do paraíso,
  • sou renegado desse bálsamo etéreo,
  • sou condenado à esse infesto venéreo
  • que perscruta minhas fracas veias, sorriso

໒꒱

  • de anjos que gargalham ironias cínicas
  • enquanto eu escalo a maldita escadaria
  • manchando-a de sangue sujo e idolatria

໒꒱

  • Escorrego na própria lambança fatal
may 19 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • De onde ela vem?! De que matéria bruta
  • Vem essa luz que sobre as nebulosas
  • Cai de incógnitas criptas misteriosas
  • Como as estalactites duma gruta?!

⊹ ࣪ ˖

  • Vem da psicogenética e alta luta
  • Do feixe de moléculas nervosas,
  • Que, em desintegrações maravilhosas,
  • Delibera, e depois, quer e executa!

⊹ ࣪ ˖

  • Vem do encéfalo absconso que a constringe,
  • Chega em seguida às cordas do laringe,
  • Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

⊹ ࣪ ˖

  • Quebra a força centrípeta que a amarra,
  • Mas, de repente, e quase morta, esbarra
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Meu coração tem catedrais imensas,
  • Templos de priscas e longínquas datas,
  • Onde um nume de amor, em serenatas,
  • Canta a aleluia virginal das crenças.

⊹ ࣪ ˖

  • Na ogiva fúlgida e nas colunatas
  • Vertem lustrais irradiações intensas,
  • Cintilações de lâmpadas suspensas,
  • E as ametistas e os florões e as pratas.

⊹ ࣪ ˖

  • Como os velhos Templários medievais,
  • Entrei um dia nessas catedrais
  • E nesses templos claros e risonhos...

⊹ ࣪ ˖

  • E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
  • No desespero dos iconoclastas
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Eu, filho do carbono e do amoníaco,
  • Monstro de escuridão e rutilância,
  • Sofro, desde a epigênesis da infância,
  • A influência má dos signos do zodíaco.

⊹ ࣪ ˖

  • Profundíssimamente hipocondríaco,
  • Este ambiente me causa repugnância...
  • Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
  • Que se escapa da boca de um cardíaco.

⊹ ࣪ ˖

  • Já o verme — este operário das ruínas —
  • Que o sangue podre das carnificinas
  • Come, e à vida em geral declara guerra,

⊹ ࣪ ˖

  • Anda a espreitar meus olhos para roê-los...
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +
  • Quando em meu peito rebentar-se a fibra
  • Que o espírito enlaça à dor vivente,
  • Não derramem por mim nem uma lágrima
  • Em pálpebra demente.

♡ ︎

  • E nem desfolhem na matéria impura
  • A flor do vale que adormece ao vento:
  • Não quero que uma nota de alegria
  • Se cale por meu triste passamento.

♡ ︎

  • Eu deixo a vida como deixa o tédio
  • Do deserto, o poento caminheiro
  • — Como as horas de um longo pesadelo
  • Que se desfaz ao dobre de um sineiro;

♡ ︎

  • Como o desterro de minh'alma errante,
  • Onde fogo insensato a consumia:
  • Só levo uma saudade — é desses tempos...
jun 23 2026 ∞
jun 23 2026 +