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❤︎ ິ † ﹙…﹚ “𝖭𝗂𝗀𝗁𝗍 𝗂𝗌 𝗇𝗈𝗍 𝗌𝗈𝗆𝖾𝗍𝗁𝗂𝗇𝗀 𝗍𝗈 𝖾𝗇𝖽𝗎𝗋𝖾 𝗎𝗇𝗍𝗂𝗅 𝖽𝖺𝗐𝗇. 𝖨𝗍 𝗂𝗌 𝖺𝗇 𝖾𝗅𝖾𝗆𝖾𝗇𝗍, 𝗅𝗂𝗄𝖾 𝗐𝗂𝗇𝖽 𝗈𝗋 𝖿𝗂𝗋𝖾. 𝖣𝖺𝗋𝗄𝗇𝖾𝗌𝗌 𝗂𝗌 𝗂𝗍𝗌 𝗈𝗐𝗇 𝗄𝗂𝗇𝗀𝖽𝗈𝗆; 𝗂𝗍 𝗆𝗈𝗏𝖾𝗌 𝗍𝗈 𝗂𝗍𝗌 𝗈𝗐𝗇 𝗅𝖺𝗐𝗌, 𝖺𝗇𝖽 𝗆𝖺𝗇𝗒 𝗅𝗂𝗏𝗂𝗇𝗀 𝗍𝗁𝗂𝗇𝗀𝗌 𝖽𝗐𝖾𝗅𝗅 𝗂𝗇 𝗂𝗍.”

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A loucura tenta se instalar em meu âmago como um parasita. Sinto-a roendo meus ossos, rasgando meus órgãos, bebendo meu sangue. Encaro-me no espelho e mal reconheço o que sou; humana? Assombração? Amaldiçoada? Tenho medo de não ser real. Devo temer que a sombra atrás de mim seja real? Ou devo temer mais que não seja?

O tempo nesta capela abandonada por Deus parece seguir um percurso diferente do normal. Lento. Pausado. Um zumbido em meus ouvidos.

Tic. Tac. Tic. tac. tic. Tac. tic-tac.

Angústia me devora. Conto os dias com rabiscos nas paredes, cortes em meu corpo e palavras soltas nas páginas dos poucos livros que permitem que leiamos. Repito o meu nome cento e oito vezes por dia, temendo esquecê-lo, já que aqui sou apenas Anjo.

Anjo divino, profecia da salvação. Aquela que trará o equilíbrio e a vida eterna para aqueles que são fiéis a Jesus Cristo.

A tempestade desaba há três dias ininterruptos. Não consigo conter o que quer que rasteje sob minha pele, e toda vez que retiram meu sangue, quanto maior o meu medo, mais feroz a tempestade se torna. Ontem, quando uma das freiras veio até mim para um discurso tolo, portando-se como se a falsa empatia que escorria entre seus dentes a tornasse melhor e pura, descobri que esse dom não se limita à natureza. Observei a maneira como seus sentimentos se curvaram aos meus desejos. Vi sua fachada despedaçar-se lentamente enquanto eu mentalizava a sua corrupção vindo à tona.

Posso não ser humana, posso ser uma pecadora, mas sei que não sou a salvadora celestial que tanto pregam. Faz tempo que Deus me abandonou. Sou a filha impura e renegada, pecadora desde o meu concebimento. Não há divindade em meu sangue; apenas profanação.

E, ainda assim, fecho os meus olhos e rezo.

feb 23 2026 ∞
feb 23 2026 +