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| Há muito tempo, quando a terra foi devastada e a humanidade reduzida a cinzas, um seleto grupo de pessoas sobreviveu. Partículas do cometa que aniquilara o planeta infiltraram-se na carne desses sobreviventes, fundindo-se aos seus corpos como um veneno silencioso; e mesmo quando o mundo exalou seus suspiros mais cruciantes, vida ainda permeava aqueles seres adormecidos. Dias se arrastaram sob um céu enfermo. Tempestades convulsas rasgavam o horizonte, seguidas por dias de um calor severo e quase sobrenatural, que coexistiam simultaneamente, como se a própria natureza delirasse em tormento. O colapso era evidente, anunciado pelo lamento do vento entre ruínas e pelo silêncio sepulcral que recobria a terra. Ainda assim, aqueles seres, tão alheios ao novo e sombrio destino que os aguardava, continuavam mergulhados em um sono profundamente imperturbáve... feb 23 2026 ∞
feb 23 2026 + Corvina Romanova Vasilieva, born in 2003 in Saint Petersburg, Russia. They call her an angel or a frightening nymph. She lives in an isolated house in the forest with her husband and children, and runs a small shop selling antique objects and her macabre handicrafts. feb 23 2026 ∞
feb 23 2026 + |
A loucura tenta se instalar em meu âmago como um parasita. Sinto-a roendo meus ossos, rasgando meus órgãos, bebendo meu sangue. Encaro-me no espelho e mal reconheço o que sou; humana? Assombração? Amaldiçoada? Tenho medo de não ser real. Devo temer que a sombra atrás de mim seja real? Ou devo temer mais que não seja? O tempo nesta capela abandonada por Deus parece seguir um percurso diferente do normal. Lento. Pausado. Um zumbido em meus ouvidos. Tic. Tac. Tic. tac. tic. Tac. tic-tac. Angústia me devora. Conto os dias com rabiscos nas paredes, cortes em meu corpo e palavras soltas nas páginas dos poucos livros que permitem que leiamos. Repito o meu nome cento e oito vezes por dia, temendo esquecê-lo, já que aqui sou apenas... feb 23 2026 ∞
feb 23 2026 + |
feb 23 2026 ∞
feb 23 2026 + A escuridão se alastrava pela terra como uma maldição premeditada no exato momento em que a recém nascida respirou seu primeiro fôlego de vida. A mãe contemplava-lhe os traços delicados, tão serenos e inocentes, com uma constatação dolorosa do desfecho que precisava impedir. A mulher sabia que jamais poderia exibir a menina tão adorável em seus braços como seu presente mais precioso; ela estava, mesmo naqueles breves minutos de existência, condenada a uma vida inteira sob as sombras do passado da mãe. Irina não sabia como seriam os próximos anos, dias ou mesmo os minutos a partir dali, mas, naquele instante suspenso no tempo, permitiu-se demorar em sua admiração silenciosa. Carregaria aquela memória tão dócil, tão frágil, cravada em seu cerne por toda a eternidade. Lágrimas escorriam pelas bochechas avermelhadas, borrando-lhe a visão enquanto seus lábi... feb 23 2026 ∞
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