"O Brasil pode ser sim, o país que pode oferecer melhores soluções para os problemas do mundo, mas para isso temos que juntar, não dispersar, como tem sido feito. Nós temos que investir na nossa identidade, no nosso conhecimento, nessa pedagogia do pertencer, fazer com que o Brasil olhe para si, antes de olhar para o outro."
"Profecia se faz olhando para trás, não olhando para frente. Não existe esse futuro, futuro é ficção. O que existe é a experiência vivida antes da gente, e que foram construindo possibilidade. A mudança possível passa com a gente se reconciliando com o passado, que o Brasil nunca fez. Não retornar, mas reconciliar-se com ele. Nos ensinaram a não gostar do nosso passado."
"O rio nunca reclama, ele não fica angustiado quando ele encontra uma dificuldade diante dele, quando encontra uma barreira. O rio tem uma voz dentro dele que fica lembrando que se ele parar de correr ele apodrece. E no rio podre não tem vida, não tem alegria. A vida da gente tem que ser igual a do rio, a gente tem que seguir adiante. Porque se ele não seguir adiante, ele não vai cumprir com a sua missão, que é mergulhar no mar. O mar pro rio é o infinito, é onde ele se completa."
"Na oralidade, na pedagogia oral, acontece de repetir muitas vezes a mesma história, para que ela faça sentido, no nosso corpo. Porque as histórias elas são contadas justamente para nos lembrar que somos continuidade, dai a importância da memória, a memória de um povo é a base para nos constituir pessoa. Eu só me torno pessoa quando essa memória se completa em mim. Os velhos são importantes porque eles carregam consigo o passado, e eles são responsáveis por alimentar nossa alma. As histórias fazem isso, elas alimentam o nosso espírito, a nossa alma, elas nos dão a certeza de quem somos e o que fazemos nesse mundo. Para onde vamos depois não importa, é um mergulho no infinito."
"A sociedade indígena é uma sociedade da cooperação. Que difere exatamente dessa sociedade da disputa, da permanente disputa por lugares, por poder, por cargos, para justificar que a gente é melhor que o outro. E essa sociedade portanto, vai nos viciando na idéia de consumir, e para consumir é preciso explorar. O consumo é quase sempre um pretexto individualista pra gente provar competência. "
"Pedagogia do Pertenser, com S, no sentido de estar no território e ser o território."
"O Drummond e o Kopenawa Yanomami, eles denunciam de alguma maneira a mesma coisa, os homens deveriam deixar dormir no fundo da terra essa potência que constitui o delírio da gente daqui de fora, que é o ouro, essa fúria de alcançar o minério, trazer ele aqui pra fora, no pensamento do xamã yanomami, ele é trazer pra fora essa tragédia sanitária que estamos vivendo no mundo de hoje, com a morte de milhões de pessoas."
"O mundo da mercadoria, ele não sossega. Assim como esse trem que passa aqui incansavelmente levando as montanha embora, o que me fez lembrar daquela afirmação antiga de que se Maomé não vai a montanha, a montanha vai até Maomé. Talvez seja uma aplicação desse termo que eles decidiram pegar as montanhas e levar para outro lugar."